Me perguntei nestes últimos dias o que, de fato, leva uma pessoa a gostar de outra. Falo de um gostar à dois, amar, ficar apaixonado. Esse tipo de coisa. A resposta parece evidente, mas não é. A princípio podemos dizer que é a beleza, o formato estético, o corpo. Ou os olhos, a boca, a delicadeza e afilação do nariz. Tudo bem, pode até ser. No entanto, cada vez mais me convenço de que pode ser uma outra espécie de torpor. Este, mais profundo. O alcance da quase inabalável fissura do cérebro (ou do coração, pra não deixar de ser romantico) onde está guardado o que há de mais puro e nobre em cada um.
Claro, tudo pode ser prosaico demais. Mas, senão vejamos: você consegue explicar por que se apaixonou por aquela pessoa que não corresponde ao padrão de beleza vigente? Os argumentos são os mais variados. Uns dizem que foi por persuasão, ou morte pelo cansaço, salvo pelo gongo, compelido por opressão, coagido, sugestionado, convencido, estimulado. Pode ser tudo verdade e não cabe à ninguém contrariar o que só ao outro concerne dizer. Mas, pense comigo, podemos adimitir que há sedução nesse processo (mesmo que seja o da conquista). Há também traços culturais adquiridos no início da vida que se perdem, ou deixam de fazer sentido, com a endoculturação da infância a juventude. Existe também um fator que o filósofo Umberto Eco chama de fascínio. Aquilo que não se vê, não se toca, mas que está no outro, invisível a olho nu. Mesmo com a diafanidade do sentido este fascínio existe. E é nele que pode estar a resposta para a pergunta invocada à pouco.
A beleza de um trejeito, a maneira de se expressar, a forma com que ela joga o cabelo. Isso não é possível avaliar. O que sabemos dizer, nestes casos, é que esse fascínio faz a diferença. Mas não sabemos se é este o motivo, de fato. Não há teoria, não há razoabilidade que explique. É inverossímil. Existem só perguntas. Sem respostas.
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ResponderExcluirME MATA DE ORGULHO MARKITO!!!
ResponderExcluirFICOU LINDO O TEXTO!!!
SUCESSO QUERIDO!!!!!!
BEIJOS
Muito bom, Marco.
ResponderExcluirMe lembrei até do outro que vc me mostrou em dez. do ano passado: Vi muitos casais hoje. Lembra? hehe
Abs,
Joana
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
ResponderExcluirNão contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis,
e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito
apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém".
(John Lennon)